Por exemplo, eis aqui uma caixa de papelão que contém meu frasco de tinta. Seria preciso tentar dizer como a via antes e como atualmente a vejo. Pois bem, é um paralelepípedo retangular, destaca-se sobre - é tolo, não há o que dizer a respeito. É isso que tem que ser evitado; é preciso não colocar estranheza onde não existe nada. Creio que é esse o perigo, quando se faz um diário: exagera-se tudo, vive-se a espreita, deforma-se constantemente a verdade. Por outro lado, é certo que posso , de um momento para outro - e precisamente em relação a esta caixa ou a qualquer outro objeto - experimentar novamente a impressão de anteontem. Tenho que estar sempre preparado; do contrário, ela mais uma vez me escaparia. É preciso nada mais forjar, mas anotar cuidadosamente, e com a maior minúcia, tudo o que ocorre.
J. P. Sartre
1 comentários:
Nossa! Bacana... menina inquieta, vibrante, certeira... Como a arte não se dobra, não se submete, apenas aprecia, estuda, planeja... e ataca!
Bjus.
Post a Comment