Ela acordou e disse:
-O que estou sentindo?
E buscava dentro de si o mais puro sentimento daquele dia, daquele momento. Que resultava exclusivamente do efêmero esvair-se do tempo. As pessoas que passam, o cheiro que sente ao entrar e sair de algum recinto fechado, a velocidade do vento que toca a pele, a lembrança que surpreende o pensamento, o gosto da boca após mastigar as palavras não ditas. Tudo isso fazia parte do dia, do seu dia. E ela gostava de saborear cada detalhe daquela repetição e aguardava ansiosa o momento não percebido, quando teria o prazer de um susto.
Não sentia nada especial, afora uma vontade mais ou menos convincente de permanecer deitada, assim, como estava agora.
Tinha o péssimo ábito de observar. Observava e sentia verdadeiramente o tempo passando e conseguia captar o impalpável, o indizível: a alegria na dor, a tristeza no riso, a construção de ruínas, o gosto da flor, o prazer estanque. Pequenas sombras no arraigar das horas sem enfim. Pequenos passos no espaço da vida. Essa era a sua terapia da morte. E fez disso sua obra.
O chinelo estava ao lado da cama, assim como o despertador desligado. O sentido do despertador também lhe causava grandes conflitos interiores. A hora lhe era cara e assim será por muito tempo.
Wednesday, June 11, 2008
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1 comentários:
amoreco!!
por ora, só passo p dizer q tô d volta, seja p te ler aki, ou p intimar sua presença em minha Vísceras...
volto a publicar logo,logo!!
visite-me, sim? "mi casa es tu casa" rs
bjão!
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